Estudantes ocupam Assembleia Legislativa do AM após suspensão do Passe Livre em Manaus
04/11/2026
(Foto: Reprodução) Estudantes ocupam Aleam e cobram volta do Passe Livre
Estudantes ocuparam a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), nesta quarta-feira (4), em protesto contra a suspensão das recargas do Passe Livre Estudantil para estudantes da rede estadual em Manaus, conforme a União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE).
A ocupação ocorre dois dias após o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) comunicar a suspensão do benefício devido a um impasse financeiro entre empresas de transporte coletivo e o Governo do Amazonas por débitos pendentes desde 2025. O Estado alega que o pagamento está sendo discutido na Justiça e que o sindicato cobrou valores diferentes do previsto em contrato.
Nas redes sociais, os estudantes afirmaram que foram informados sobre a interrupção do benefício por meio do aplicativo “Cadê Meu Ônibus”. O grupo cobra a retomada da gratuidade e defende que o passe livre é fundamental para garantir o acesso de estudantes às escolas e universidades.
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“Não vamos aceitar que retirem um direito tão fundamental para a juventude amazonense”, afirmaram os estudantes em publicação sobre a mobilização.
Estudantes ocupam Aleam após suspensão de recargas do Passe Livre em Manaus.
Divulgação
Participam do ato a União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE), União dos Estudantes Secundaristas do Amazonas (UESA) e União Nacional dos Estudantes (UNE).
"A gente acredita que a ocupação aqui na casa do povo é uma forma de pressionar essa casa, de pressionar os parlamentares, para que a gente consiga falar com o Sinetram e diretamente com o governador pra gente negociar e entender o que aconteceu, porque é extremamente grave o que aconteceu e os estudantes ficarem sem ter como ir para a escola. Tem famílias hoje que, ou compram a passagem, ou compram o pão de manhã", afirmou Talita Duarte, presidente da União Estadual dos Estudantes do Amazonas.
Além do Passe Estudantil, os manifestantes pedem a recomposição e fiscalização do recurso da merenda escolar e a criação do Plano Estadual de Assistência Estudantil. Os pedidos constam em uma carta aberta que será enviada ao Ministério da Educação, Aleam e ao governo do Estado.
O ato deve permanecer até os três pedidos serem respondidos de forma concreta pelos órgãos.
Segundo apurado pela Rede Amazônica, o presidente da Aleam, deputado Adjuto Afonso, já conversou com os estudantes e disse que vai convocar o Estado e o Sinetram na quinta-feira (4).
Justiça determina restabelecimento do Passe Livre Estudantil em Manaus em até 24 horas
Estudantes ocupam Assembleia Legislativa do Amazonas e cobram volta do Passe Livre.
Naine Carvalho/Rede Amazônica
Estudantes relatam dificuldades
Desde a suspensão das recargas, estudantes da rede estadual de ensino relatam dificuldades para chegar às escolas. Alguns passaram a pagar as passagens com dinheiro próprio, buscar caronas ou até faltar às aulas por não ter condições de arcar com o transporte.
O Sinetram afirma que as empresas não conseguem continuar custeando as passagens dos estudantes sem receber os valores do Governo do Amazonas.
O governo, por outro lado, afirma que os pagamentos referentes a 2026 estão em dia e que a cobrança do sindicato envolve valores de 2025, que estão sendo discutidos na Justiça.
Segundo o governo estadual, mais de R$ 27 milhões foram repassados ao Sinetram neste ano, incluindo uma parcela de R$ 3 milhões paga no dia 23 de outubro.
Entenda o impasse financeiro
Em audiência realizada no dia 26 de outubro, o Sinetram informou que as empresas não conseguem continuar custeando, com recursos próprios, as passagens dos estudantes da rede estadual sem receber os valores cobrados.
O Governo do Amazonas afirmou ter quitado todos os pagamentos do Passe Livre Estudantil referentes a 2026. Sobre os valores de 2025, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) informou que mantém uma disputa judicial com o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e o Sinetram.
O Estado contesta uma cobrança de cerca de R$ 250 milhões pelo serviço prestado no primeiro semestre daquele ano. Segundo o governo, os custos apresentados não foram devidamente comprovados.
Com a suspensão das recargas, os estudantes da rede estadual ficam impedidos de receber novos créditos. Quem já tem saldo no cartão pode continuar utilizando as passagens disponíveis, segundo o sindicato.